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Tese de aluno egresso do PPGEP recebe Prêmio de Melhor Tese de Doutorado

A tese intitulada “Mecanismos para Resiliência na Cadeia de Suprimentos: uma análise sob a ótica da Indústria Processadora de Carnes” de autoria de Márcio Gonçalves dos Santos, egresso do PPGEP/UFSCar, sob orientação da Profª. Dra. Rosane Lúcia C. Alcântara foi escolhida para receber o Prêmio ABEPRO 2019 como melhor tese de doutorado em Engenharia de Produção.

O Prêmio ABEPRO é uma iniciativa da associação para fornecer o reconhecimento institucional aos melhores trabalhos do ano. A tese será premiada no dia 15 de outubro de 2019 durante a cerimônia de abertura e premiações no Encontro Nacional de Engenharia de Produção (ENEGEP) 2019 que será realizado em Santos/SP.

A tese teve buscou identificar como os mecanismos para resiliência atuam na indústria de carnes para promover a resiliência da cadeia de suprimentos em relação aos riscos de rupturas no lado do fornecimento e no lado da demanda. Para tanto, a construção da fundamentação teórica foi realizada com o uso da técnica de Revisão Sistemática da Literatura, sendo os resultados sistematizados em abordagens de gestão (proativa e reativa), estágios para a resiliência em cadeias de suprimentos (antecipação, reação e recuperação) e mecanismos para gestão da resiliência em cadeia de suprimentos (antecedentes, intermediários e de resposta).

Na fase empírica da pesquisa foram desenvolvidos estudos de caso múltiplos, em cinco indústrias processadoras de carnes, dos segmentos de bovinos, suínos e frangos, de médio a grande porte, localizadas no estado de Mato Grosso. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas com gestores responsáveis pelos setores de suprimentos e comercial (ou função equivalente), análise documental e observação direta.

Os resultados apontam que as fontes de rupturas que estas cadeias estão sujeitas determinam as práticas de gestão a serem desenvolvidas. Verificou-se que as cadeias de carne desenvolvem abordagem proativa de gestão da resiliência no lado do fornecimento e no lado da demanda. Entretanto, no tocante a rupturas relacionadas ao mercado externo, como embargo à exportação da carne brasileira, a dependência de decisões dos órgãos reguladores, como por exemplo do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), levam as cadeias à abordagem de gestão reativa, demorando mais tempo para reagir e recuperarem-se das rupturas.

Os principais fatores de riscos de rupturas na cadeia de carne bovina são a alta dispersão geográfica dos fornecedores e o baixo desenvolvimento da infraestrutura das estradas e rodovias, levando estas indústrias a adotarem a descentralização dos processos produtivos, com unidades de abate localizadas próximas dos fornecedores e unidades de desossa e industrialização próxima dos centros distribuidores, além da manutenção de confinamentos próprios e compradores independentes. Essas práticas possibilitam maior flexibilidade no fornecimento da cadeia.

No caso das cadeias de carne suína e de frango, os riscos de rupturas no fornecimento estão relacionados com fatores ambientais que afetam ao sistema de produção da matéria-prima, tais como umidade, temperatura e calor. A prática de gestão adotada foi a verticalização no fornecimento, através de granjas integradas para produção de frangos e granjas próprias no caso dos suínos. Entretanto, os dados mostraram que essa prática reduz a flexibilidade da cadeia em situações de rupturas, porém aumenta a sua visibilidade o que permite antecipar-se aos fatores de riscos de rupturas.

Em relação ao lado da demanda, os principais fatores de rupturas às cadeias de suprimentos de carne são o baixo desenvolvimento da infraestrutura logística, paralisações em rodovias ocasionadas por indígenas ou integrantes do movimento dos sem terras e embargos às exportações. A cadeia de carne bovina descentraliza processos produtivos e mantém centros de distribuição nas grandes regiões consumidoras, a cadeia de carne suína mantém contratos de fornecimento com clientes-chaves e a cadeia de carne de frango segmenta a distribuição por regiões geográficas.

Dentre as contribuições da tese, no âmbito científico, amplia o campo de estudo de resiliência no contexto de cadeia de suprimentos, ao analisar sob a perspectiva da cadeia de suprimentos a resiliência no setor agroindustrial com características distintas de setores como metal mecânico, energético, farmacêuticos ou de produtos de beleza (ALI; MAHFOUZ; ARISHA, 2017).

Outra contribuição da tese consiste em verificar a influência do papel das instituições governamentais reguladoras, no processo de exportação de produtos finais, reduzindo a capacidade de resposta das cadeias de suprimentos no lado da demanda. A necessidade de aguardar informações dos órgãos governamentais em situações de rupturas na demanda relacionadas à exportação de produtos aumenta o tempo de reação e recuperação das empresas, levando-as à abordagem de gestão reativa, reduzindo a capacidade de resiliência. Essa constatação contribui com a literatura ao mostrar a influência de fatores redutores de resiliência na cadeia de suprimentos.

Como contribuições empíricas da tese têm-se: i) proporciona aos gestores uma estrutura conceitual a ser aplicada em suas empresas para gerenciar a resiliência da cadeia de suprimento; ii) permite aos gestores conhecer os mecanismos a serem implementados em seus processos de gestão da cadeia de suprimento para torná-la resiliente; iii) disponibiliza as práticas a serem desenvolvidas para a gestão proativa de resiliência, por meio dos mecanismos antecedentes, intermediários e de resposta à resiliência da cadeia de suprimentos; iv) apresentar as práticas de gestão, utilizadas pelas indústrias processadoras de carne, para a resiliência da cadeia de suprimento no lado do fornecimento e no lado da demanda e, v) apresenta os elementos que podem ser melhorados na gestão de suas cadeias de suprimento visando aumentar a capacidade de resposta às rupturas no fornecimento e na demanda.

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