Dinâmica Tecnológica e Organizacional (DTO)

A área de DTO focaliza o conjunto de abordagens teóricas que vêm sendo objeto dos esforços intelectuais de seus docentes, entre as quais a sociologia econômica, as redes sociais, de cooperação, poder e de políticas, o novo institucionalismo na análise organizacional, a análise do trabalho e de seus condicionantes organizacionais e a economia de custos de transação. A área também apresenta, como objeto de investigação, a concepção e coordenação de situações produtivas no interior das quais se articulam os processos de produção e de trabalho. A Engenharia de Produção expressa sua singularidade, frente aos demais ramos da Engenharia, por ter o Trabalho como objeto de pesquisa e produção de conhecimento. Distingue-se também das Ciências do Trabalho por considerar o trabalho em suas condições concretas de realização. Dessa forma, o Trabalho é a atividade humana singular, histórica e socialmente contextualizada, constituindo-se, ao mesmo tempo, em centro da análise e elemento estruturante e organizador das situações produtivas. Além disso, o Trabalho deve ser compreendido considerando-se os condicionantes postos pela Tecnologia, pela Organização e pela Sociedade. As relações entre Trabalho, Tecnologia e Organização são compreendidas a partir dos seus aspectos descritivos, relativos a uma racionalidade instrumental voltada para a eficiência e eficácia, bem como, dos aspectos normativos, relativos às normas ou critérios socialmente definidos, que orientam as escolhas de projetistas e organizadores. As investigações nesta linha de pesquisa produzem conhecimentos e contribuições para transformações em dois campos: a) no campo do Projeto de Engenharia voltados para a produção de modelos descritivos, explicativos e/ou propositivos para a atividade de concepção de produtos, processos e trabalho; e, b) no campo da Dinâmica Social e do Trabalho voltados para a produção de modelos descritivos, explicativos e/ou propositivos sobre as formas de organização da produção e do trabalho e sobre as condições em que o trabalho se realiza, considerando-se os processos de mudança social, tecnológica e organizacional.

 

Temas de Pesquisa

  • Economia Institucional

Linha de investigação que se propõe em estudar a influência das instituições na vida econômica com foco nos custos de negociação entre os agentes, no poder de mercado resultante de coordenações consideradas mais eficientes e nas políticas de regulação dos variados mercados. Nessa orientação, temas como assimetria de informações, incertezas e riscos morais nas celebrações de contratos e acordos tácitos, esquemas de integração vertical e de quase-integração em cadeias produtivas podem receber atenção específica para estudos de competitividade e de estratégias das firmas nos mercados. Formações de redes de cooperação como formas alternativas e híbridas de governança dos mercados são estudadas com o objetivo de aprimorar conceitos e variáveis de análise da economia institucional.

  • Estudos de Redes

A partir da abordagem de redes procura-se investigar problemas de naturezas bastante distintas, tais como: redes sociais, redes de poder, redes de cooperação etc. Os estudos podem ou não utilizar ferramentais mais formalizados. Além de caracterizar as redes, procura-se também especular sobre as conseqüências – econômica ou não – de tais configurações. As análises são desenvolvidas tanto da perspectiva de redes como forma de governança, quanto como forma de análise.

  • História das Organizações e seus Agentes

Utilizando-se como referencial teórico a própria Teoria das Organizações, nosso objetivo aqui é analisar trajetórias organizacionais concretas – envolvendo a criação, o crescimento, o desenvolvimento, a evolução, a involução, o desaparecimento etc, de organizações ao longo do tempo. Essa perspectiva de análise, ao incorporar uma abordagem das condições históricas que produziram determinadas configurações organizacionais, é capaz de enriquecer e complementar com proveito enfoques do tipo “aqui e agora”. Ao mesmo tempo, existe a possibilidade de se operar um recorte não da organização em si, mas da inserção de um tipo de agente social no interior das organizações (o empresário, por exemplo, ou mesmo uma determinada categoria profissional). Nesse caso, tendo-se em vista a relevância dos imigrantes na conformação histórica do tecido empresarial paulista, é oportuno investigar o modus operandi do que se convencionou chamar por economia étnica.

  • Sociologia Econômica e Governança

A área de sociologia econômica ganhou muita importância recentemente, apresentando-se como um caminho de evolução natural de muitos pesquisadores que nas décadas passadas se interessavam por estudos organizacionais, sociedade agrária, marginalidade urbana, emprego e trabalho. Num outro caminho, observamos o interesse crescente de analistas, originários dos estudos sociais sobre as ciências, pela construção e difusão de instrumentos financeiros modernos. É assim que a rubrica “Sociologia Econômica” recobre atualmente as influências das finanças sobre o universo das organizações, estudos sobre a efetividade de políticas públicas de combate à pobreza e criação de emprego e renda, novas conformações das inserções econômicas e dos mercados correspondentes, bem como o estudo crítico do mundo das finanças e das transformações que ele tem engendrado em outras esferas da sociabilidade contemporânea, tais como as famílias, as profissões, a educação e a organização do trabalho industrial, rural e nos setores de serviços.

  • Teoria das Organizações

Os projetos e orientações aqui desenvolvidos partem da premissa de que a organização é um fenômeno multifacetado que não pode ser satisfatoriamente compreendido a partir de uma única perspectiva teórica. Por conta disto abordagens complementares (e até concorrentes), podem ser adotadas. Em geral trabalham-se temas ligados a: responsabilidade social, aprendizagem organizacional, jogos de empresas, desenhos organizacionais vários, dinâmicas adaptativas, campo organizacional etc, tanto em organizações privadas quanto publicas.

  • Trabalho e Organizações

A análise do trabalho e de seus condicionantes organizacionais aparece aqui como objeto central de análise. Para essa perspectiva, importa a análise do trabalho delimitado pelas características formais e informais das organizações, que criam constrangimentos objetivos e significados subjetivos a seu exercício pelos diferentes trabalhadores e profissionais. Esse tema guarda interfaces relevantes com outros campos disciplinares, tanto internos à Engenharia de Produção, quanto externos, como Economia, Sociologia e o próprio Direito do Trabalho, mantendo sua especificidade ao privilegiar as relações entre trabalho e contextos organizacionais concretos, pautada principalmente por preocupações de cunho analítico.

  • Governança e Desenho Institucional/Organizacional

Considera-se que as ações individuais e coletivas ocorrem no interior de um quadro referencial institucional que tanto delimita quanto incentiva escolhas entendidas como ‘construções racionais’, funcionando como elemento de governança destas escolhas. A partir de referenciais teóricos fundados na teoria das organizações, na sociologia econômica e no neo-institucionalismo, esta linha de pesquisa objetiva identificar os elementos de governança associados à dinâmica da inovação tecnológica (em produto, processo ou gestão), nos campos organizacional e inter-organizacional, procurando daí derivar contribuições para desenhos organizacionais e políticas que estimulem positivamente estas dinâmicas.

  • Projeto de Engenharia:

Voltado para a produção de modelos descritivos, explicativos e/ou propositivos para a atividade de concepção de produtos, processos e trabalho, envolve pesquisas que contribuam para: a) A compreensão das relações entre pessoas, tecnologias e formas de organização do trabalho nos processos de concepção e contribuam para a teoria do projeto de engenharia e ciência do projeto. Interesse especial é dedicado à gestão de bases de conhecimento, cognição compartilhada, abordagens construtivistas, dialógicas e construção social do projeto; b) A instrumentalização dos processos de projeto de engenharia, em especial aquelas voltadas para as metodologias de projeto que integrem as perspectivas ascendentes e descendentes, favorecendo os a comunicação e interações dos atores sociais nos processos de concepção. Interesse especial às articulações com tecnologias digitais envolvendo computação gráfica, captura de cenários, construção de cenários evolutivos, simulação discreta, simulação baseada em agentes, simulação humana, captura de movimentos e o uso de games em projetos de engenharia; c) A compreensão dos processos de projeto de situações produtivas, enquanto campo específico do projeto de engenharia, considerando como os modelos de racionalidade produtiva são transpostos para as condições objetivas e concretas de um sistema de produção específico, envolvendo as estratégias de produção na indústria de processos contínuos, produção repetitiva, agricultura e serviços. Interesse especial nos métodos de modelagem qualitativos e quantitativos, layout, logística interna e externa, sistemas de movimentação, unidades de armazenagem e sistemas de distribuição; d) A produção de projetos inovadores de produtos (bens ou serviços) e instrumentos de trabalho, em especial aquelas que consideram a perspectiva dos usuários por meio da análise e ponto de vista da atividade. Interesse especial em ergonomia situada, ergonomia de concepção, ergonomia prospectiva, projeto continuado no uso e design universal.

  • Dinâmica Social e do Trabalho

Voltado para a produção de modelos descritivos, explicativos e/ou propositivos para as formas de organização da produção e do trabalho e os seus processos de mudança, envolve pesquisas voltadas para: a) A produção de conhecimento sobre a dinâmica social, as relações entre as estruturações e reestruturações do capital, as estratégias de negócio e de produção da empresa, as redes nas quais a empresa está inserida, a incorporação de tecnologias, a ação e reação dos trabalhadores e de suas entidades representativas, o papel do estado e da sociedade civil. Temas de interesse envolvem as formas como se articulam esses diferentes atores nas condições objetivas da organização do trabalho e da produção e na vida coletiva e individual dos trabalhadores e trabalhadoras; b) A produção de conhecimento sobre as experiências concretas de cooperação entre trabalhadores rurais e urbanos na organização de empreendimentos onde a gestão da produção e a organização do trabalho articulam-se por meio de sócios-trabalhadores, gestores e executores ao mesmo tempo. Temas de interesse envolvem empreendimentos de economia solidária, empreendimentos autogestionários, associações, cooperativas e grupos informais cujas relações de assalariamento são marginais ou inexistentes; c) A compreensão das formas de estruturação e organização do trabalho no interior das organizações. Temas de interesse envolvem a divisão dos trabalhadores nos espaços de trabalho, suas habilidades e qualificações, o conteúdo das tarefas, as pausas e cadências, o sistema hierárquico, a repartição das responsabilidades, as formas de controle e as relações de poder; d) A produção de conhecimento sobre as relações entre os contextos tecnológicos e organizacionais e as condições concretas de realização das atividades situadas de trabalho, considerando aspectos de saúde, segurança, produção e produtividade. Os temas de interesse incluem as relações entre trabalho prescrito e trabalho real, as variabilidades, a carga de trabalho em suas dimensões físicas, cognitivas e organizacionais, os mecanismos de regulação, e as estratégias individuais ou coletivas nas atividades e trabalho, na perspectiva da ergonomia situada.

 

Disciplinas

 

 

 

Docentes

Nome (clique para ver o Currículo Lattes)  E-mail

Prof. Dr. Luiz Fernando de Oriani e Paulillo dlfp@ufscar.br

Prof. Dr. Mário Sacomano Neto msacomano@ufscar.br

Prof. Dr. Sérgio Luis da Silva sergiol@ufscar.br

Prof. Dr. João Alberto Camarotto camarotto@dep.ufscar.br
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